não sei o que quero ser quando crescer, mas, opa, eu cresci…
- Mari Lima

- Jun 8, 2025
- 5 min read
Updated: Aug 24, 2025
Era um dia normal. Tipo, normal mesmo. Sol entrando pela janela, chocolate quente, playlist tranquila tocando ao fundo. Eu estava só rolando o celular, sem grandes pretensões, quando abri um e-mail qualquer e… pá. Lá estava:
“Escolha seu curso de graduação”.
Eu congelei. Como assim escolha? Eu ainda não sei nem escolher a série certa pra assistir no Netflix. A ficha caiu: aquele “quando eu crescer” que eu usava como desculpa pra adiar decisões… tinha chegado. E, spoiler: eu cresci.
Quando eu era criança, eu achava que crescer era tipo ganhar um manual de instruções. Você acorda um dia, já sabe sua profissão, sua rotina, suas responsabilidades, e pronto. Só que, na vida real, é mais como abrir a porta sem GPS e sair andando, tentando encontrar o caminho e, inevitavelmente, acabar se perdendo no caminho.
E aí vem a faculdade. Esse momento em que o mundo inteiro parece ter certeza do que quer ser, enquanto você ainda está tentando entender se prefere café ou chocolate quente.
Tem gente que sonha com Medicina desde os sete anos, gente que segue o caminho que a família espera, gente que decide por puro amor a uma área… e gente que, bom, escolhe porque o prazo de inscrição tá acabando e alguém precisa digitar alguma coisa no formulário.
Foi aí que eu percebi: talvez a vida adulta não comece com uma única decisão…
O artigo da semana é sobre: crescer.

Manual teen de escolha de rumo para a vida (sem prometer respostas definitivas)
Se você está no mesmo barco, aqui vai o que aprendi fuçando, pesquisando e conversando com gente que já passou por isso.
1. Pare e olhe para dentro (o que eu gosto de verdade?)
Parece óbvio, mas não é. Muitas vezes a gente confunde o que gosta com o que é bom — e são coisas diferentes. Você pode ser ótimo em matemática, mas amar escrever. Ou ser um gênio em física, mas se sentir mais vivo quando está criando algo artístico.
Dica prática: anote três coisas que você ama fazer, mesmo que nunca tenha recebido um real por isso. Vale qualquer coisa: organizar viagens, cuidar de plantas, editar vídeos, ensinar, cozinhar, contar histórias.
2. Conheça o conceito de Ikigai
O ikigai é um conceito japonês que significa “razão de ser” — a interseção entre o que você ama, no que você é bom, pelo que você pode ser pago e o que o mundo precisa.
Quando essas quatro coisas se encontram, é como se você encontrasse um norte.
Exemplo: você ama animais (o que ama), é bom em comunicação (no que é bom), o mundo precisa de mais consciência sobre direitos animais (o que o mundo precisa) e pode ser pago para criar conteúdo sobre isso (pelo que pode ser pago). Isso pode te levar a profissões como jornalismo especializado, marketing para ONGs, ou até abrir um próprio projeto de conscientização.
E eu sei falando parece muito mais fácil do que é mas acho que aqui que nossa busca pelas respostas começa a ficar interessante. É na dúvida na incerteza nas tentativas e erros que a gente acha uma direção para seguir. Eu, por exemplo, fiz meu ikigai uns anos atrás, e no começo eu nem sabia como preencher o que eu gostava… Hoje, estou mais certa do que nunca do que quero cursar e, melhor ainda, ONDE quero cursar.
3. Explore profissões que você nem sabia que existiam
A gente cresce ouvindo falar sempre das mesmas áreas: Medicina, Direito, Engenharia, Administração… mas existem carreiras incríveis e pouco conhecidas. A maioria delas, inclusive, muito subestimada.
Você sabia que existe gente que trabalha como especialista em realidade aumentada? Ou que designer de experiências é uma profissão real, onde você cria interações memoráveis para marcas, museus, eventos? Ou, ainda, a futura profissão da minha amiga: Designer de produtos (ela vai criar embalagens)!
E que existem arqueólogos subaquáticos, engenheiros de alimentos, intérpretes de língua de sinais para eventos internacionais, curadores de arte digital…?
Quanto mais você pesquisa, mais percebe que talvez exista um caminho que você nunca tinha considerado simplesmente porque não sabia que ele existia.
4. Teste na vida real
Cursos online gratuitos, eventos, workshops, voluntariado… tudo isso vale como um “test drive” antes de bater o martelo. Não é só sobre decidir logo de cara, é sobre sentir na pele como é o dia a dia daquela área.
Eu, por exemplo, sempre tive um pézinho no jornalismo, mas não sabia se era paixão ou só curiosidade. Então resolvi me jogar e passei um verão estudando na School of The New York Times, em Nova York. Foi intenso: acordar cedo, andar pela cidade, entrevistar pessoas, escrever textos que seriam lidos e avaliados como se fossem de verdade. No início, eu achei que ia me assustar com a pressão — e me assustei mesmo — mas, no meio de todo o caos, percebi que eu me sentia viva. Não era só sobre escrever; mas era sobre estar ali, no olho do furacão, observando, entendendo e traduzindo o mundo do meu jeitinho.
Esse tipo de experiência vale ouro, porque você deixa de imaginar “como seria” e começa a saber “como é”.
5. Aceite que mudar faz parte
Escolher um curso não significa assinar um contrato vitalício. Você pode mudar de ideia, trocar de área ou até criar algo novo que nem existia quando você estava no Ensino Médio (hello, Gallatin 💜). E isso não é fracasso, faz parte do amadurecimento.
A gente é ensinado a acreditar que existe um caminho “certo” e que, se você sair dele, é porque errou. Mas a verdade é que o mundo muda, você muda e, consequentemente, seus sonhos também. Eu mesma escolhi jornalismo por acreditar no poder das histórias, mas sei que, daqui a alguns anos, posso querer escrever livros, produzir documentários, dar aulas ou fazer algo que hoje nem consigo imaginar.
Mudar não apaga o que você fez até ali, pelo contrário, cada fase vira bagagem para o próximo capítulo.
E no final das contas…
Talvez crescer não seja sobre ter todas as respostas, mas sobre continuar fazendo as perguntas certas. É saber que o “curso certo” é aquele que faz sentido pra você hoje, e que amanhã você pode querer algo diferente.
Eu mesma passei meses achando que nunca ia encontrar algo que fosse realmente a minha cara. Testei mil possibilidades na minha cabeça: arquiteta, diplomata, historiadora, até guia de viagens (porque, sim, eu levei a sério minha fase “vou largar tudo e viver pelo mundo”). Inspirada pela passageira econômica, hahaha.
Mas aí, um dia, percebi que todas essas opções tinham um ponto em comum: contar histórias. Não importa se era sobre um país distante, um acontecimento histórico ou a vida de uma pessoa que ninguém conhece, eu queria traduzir o mundo em palavras. Foi assim que o jornalismo deixou de ser uma ideia vaga e virou uma escolha — porque ele me permite fazer exatamente isso, todos os dias, de mil jeitos diferentes. Falando, escrevendo, fotografando, gravando…
A vida não é um manual pronto. É uma coleção de rascunhos, ajustes e recomeços. Talvez, daqui a alguns anos, eu olhe pra trás e perceba que minha profissão mudou, ou que meu jeito de ser jornalista já não é o mesmo. Mas é aí que está a beleza: crescer é se permitir mudar sem medo, sabendo que cada escolha leva a um novo caminho, e que todos eles, no fim, ajudam a contar a nossa história.

E, se couber uma dica final, não seja tão dura consigo mesma. Todos nós está,os nesse mundo tentando entender o que queremos e como sobreviver ao caos do planeta terra, então, pega leve :)
“Oh, I don't wanna grow up, Wish I'd never grown up, Could still be little, Oh, I don't wanna grow up, Wish I'd never grown up, It could still be simple” - Never grow up, Taylor Swift.
Obrigada pela leitura! 💕
Escrito em 2025 por Mariana Hirata de Lima. Editado e revisado posteriormente.








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